terça-feira, 2 de Junho de 2009

Perturbação da aprendizagem

Perturbação Da Aprendizagem

 "Perturbação da aprendizagem" é o termo mais usado para qualificar o que era vulgarmente designado por atraso mental, atraso de desenvolvimento ou deficiência intelectual. Esta perturbação afecta cerca de 2% da população. Apesar de o grau da deficiência ser diferente para as diversas capacidades do indivíduo, é normal que exista uma insuficiência na maior parte das capacidades intelectuais. A deficiência mental subdivide-se normalmente (de forma algo arbitrária) em ligeira ou moderada (QI de 50-70), grave (QI de 20-50) e profunda (QI abaixo de 20).

 

Causas

As causas variam de acordo com as três categorias.

Em caso de défice de aprendizagem ligeiro, é normal haver uma história de carências sociais e económicas, bem como de cuidados parentais reduzidos ou inexistentes. A família pode ser numerosa e o espaço familiar exíguo. Por sua vez, o ambiente durante as primeiras fases do crescimento pode ter sido pouco estimulante e o desenvolvimento da linguagem não encorajado. O nível de inteligência dos pais, mesmo que acima do limiar da insuficiência, é em muitos casos inferior ao normal.

Entre as causas médicas específicas contam-se as anomalias cromossómicas (como as síndromes de Down c do X frágil) e as lesões sofridas à nascença. E com frequência associado a problemas como epilepsia, insuficiências auditiva e visual e autismo. A subnutrição, quer da mãe durante a gravidez quer do bebé, pode também resultar numa perturbação da aprendizagem moderada, tal como o contacto com toxinas, como o álcool e, eventualmente, o chumbo disperso pelo meio ambiente.

A maior parte das crianças com deficiências moderadas a profundas (QI de menos de 50) apresentam alterações na morfologia cerebral, mas tal não significa que os factores sociais sejam irrelevantes. As deficiências cromossómicas são responsáveis por cerca de 40% dos défices de aprendizagem neste grupo: daquelas, a síndrome de Down é a mais frequente, seguida da síndrome do X frágil, anomalias dos cromossomas sexuais e outras anomalias cromossómicas mais raras.

Certos defeitos genéticos raros, que induzem perturbações metabólicas como a galactosemia e a fenilcetonúria, provocam também deficiências moderadas a profundas, complicações infecciosas durante a gravidez, como rubéola, toxoplasmose e sida; o abuso do álcool ou toxicodependência c problemas perinatais ou pós-natais que provoquem défices de oxigenação cerebral ou outras lesões cerebrais.

 

Diagnóstico

A avaliação envolve a determinação do nível de funcionamento mental; identificação de problemas secundários, como distúrbios psiquiátricos; averiguação das causas da deficiência e adição da capacidade de suporte e estimulação da família.

 

Tratamento

Depende da gravidade da deficiência. De modo geral, as crianças com deficiência profunda não são capazes de desempenhar actividades básicas de autonomia, como alimentarem-se ou irem à casa de banho. É possível às crianças com uma perturbação ligeira levarem vidas independentes e satisfatórias. Necessitam de educação especial e é pela via educacional que passa a maior parte do tratamento. No entanto, como as perturbações psiquiátricas e neurológicas secundárias são comuns, precisam amiúde de medicação. Por vezes, a terapia comportamental ou a psicoterapia de apoio poderão complementar as estratégias educativas na criança e ser uma ajuda fundamental para a familia.

 

Prevenção

Como factores preventivos das perturbações de aprendizagem, deve referir-se a importância de a mulher se manter de boa saúde antes da concepção e durante a gravidez. A educação em saúde pública é crucial para reduzir as taxas de incidência das perturbações de desenvolvimento. A identificação de famílias de risco é uma prioridade social e, uma vez que as deficiências cromossómicas são mais frequentes em mães mais velhas (as gravidezes tardias são cada vez mais frequentes nos países desenvolvidos), é desejável que a despistagem das mesmas seja feita numa fase precoce da gravidez. Existem inclusivamente técnicas não-invasivas de detecção da síndrome de Down, como, por exemplo, as medições feitas nas primeiras ecografias. Contudo, o exame fundamental nesta despistagem é a amniocentese, na qual se analisa uma amostra de líquido amniótico, ou ainda a recolha de vilosidades do córion, que permite estudar as células da placenta. Ambos os testes identificam se existem células com anomalias cromossómicas. No entanto, ambas as técnicas são invasivas, implicando alguns riscos, nomeadamente hemorragias, infecções ou abortos espontâneos. É desejável que se vulgarizem no futuro os exames ecográficos mais recentes, mas menos invasivos.

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